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quarta-feira, 13 de março de 2013

Os formandos e o paraninfo

"E eu quero é que este canto, torto feito faca, corte a carne de vocês" é um verso de Belchior que mostra o quanto é poderosa a palavra. Independentemente de ela ser escrita, dita, cantada ou por qualquer modalidade de expressão, a linguagem é um instrumento poderosíssimo em nossas mãos.

Muitíssimo honrado pelo convite que meus alunos de Letras me fizeram, fui ao Tuca hoje participar da colação de grau daquela turma para a qual eu já não dava aula há dois anos. Eles me escolheram como paraninfo e, como tal, durante a cerimônia é obrigatório produzir um discurso. Entre o emotivo e o racional, o escrito e o oral, o discurso precisa ser significativo para os alunos, naquele momento tão importante para a vida de cada um deles.

Logo no início do discurso, cantei a música "A palo seco", de Belchior. Nem acreditei ainda que cantei em público. No Tuca. Numa cerimônia de colação de grau. Para mim, o máximo!! Apesar de quebrar o protocolo, pois se sabe claramente que em discurso de formatura não se canta, procurei deixar aos meus alunos a importância do reconhecimento da linguagem com um duplo sentido: de fazer o bem, de fazer o mal.

Em certo trecho, eu disse: "Quero que vocês, hoje formados, possam tirar dos olhos a névoa que os impede de ver com clareza. Que tirem dos ouvidos o bloqueio que os impede de ouvir com nitidez. Que tirem do coração a pedra que os impede de pulsar para a vida que a linguagem é capaz de curar. Minha palavra hoje, que eu canto desesperadamente em Português, vem como um canto torto que eu espero que corte a carne de vocês e os liberte para a incomensurável alegria de produzir a vida por meio da palavra que usamos doante de nossos alunos.

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